O pior tipo de vida para um Beagle é ficar preso. Além de problemas de temperamento, o confinamento em canis acarreta problemas de saúde. As fêmeas podem sofrer de falta de tônus muscular, o que normalmente leva à necessidade de partos de cesariana. No caso de cães tão ativos quanto os Beagles, o problema é ainda maior. Elas precisam de uma dose diária de exercícios para desenvolver a musculatura pélvica, tornando-a forte o suficiente para auxiliar o trabalho de parto natural. Se a Beagle viver solta, não precisa de cuidados especiais: ela mesmo se encarrega de providenciar o exercício de que necessita.
Segundo a veterinária Cynthia Peixoto, consultora de Cães & Cia, Beagles que vivem presos ficam entediados mais facilmente do que muitas outras raças, com comportamentos neuróticos como lamber as próprias patas até formar feridas. Também sofrem baixa no sistema imunológico, ficando propício a adquirir mais doenças.
Mas mesmo os que vivem soltos precisam de alguém que controle seu apetite, pois os Beagles são loucos por comida e podem facilmente ficar obesos. Sua fama de guloso é tão grande que já virou marca registrada da raça. Embora possa trazer prejuízos para a sua saúde, quando bem controlada essa "gula" se transforma num poderoso recurso para o trabalho. Associada a seu excelente faro, ela faz dos Beagles exímios caçadores. Já há algum tempo, alguns deles vêm atuando como "detectores" de alimentos nas bagagens dos passageiros estrangeiros. Existem hoje cerca de 55 Beagles trabalhando em 19 aeroportos para descobrir alimentos proibidos de entrar nos Estados Unidos. Segundo Jim Smith, coordenador do programa Beagle Brigates - o motivo número 1 para escolha do Beagle foi seu faro. Mas recentemente a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem treinado Beagles para farejar drogas em carros, malas no aeroporto, etc...
Além da tendência à obesidade, a veterinária Carmem Zuna, aponta os males mais freqüentes que encontrou na raça. Cerca da metade dos casos que atendeu eram de eczema, causado por alergia a pulgas ou proteína da alimentação que os cães recebiam. A cura é feita pela elimição dos parasitas e substituição da proteína por uma hipoalérgica, como a da carne do carneiro. Entre 30 e 40 casos eram de glândula da terceira pálpebra, conhecida também como glândula de Harder, que consiste em uma "bolinha" vermelha ao lado do olho do cão, corrigindo por meio de cirurgia, sem maiores problemas. Cerca de dez casos eram de necróse assética da cabeça do fêmur, por falta de irrigação saguínea. Dá muita dor e grande dificuldade de locomoção. Há tratamento para aliviar a dor mas o ideal é colocar uma prótese. Outro mal, o Beagle Tail, não chegou a dez casos. A doença mais freqüente em cães com base da cauda grossa, se caracteriza pela inflamação das glândulas anais. Forma uma dobra entre o ânus e a cauda, abafando o local e gerando uma inflamação. É tratado com drenagem da glândula, curativos antissépticos e pomadas antinflamatórias e com antibióticos.